Cloro

:: Aspectos Gerais ::

          O leite possui em média 3,5% de proteínas, 3,8% de gordura, 5,0% de lactose, 0,7% de minerais (cinzas) e 87% de água, sendo o constituinte quantitativamente mais importante (BEHMER, 1999). Apresenta todas as vitaminas conhecidas e teores consideráveis de cloro, fósforo, potássio, sódio, cálcio, magnésio e baixos teores de ferro, alumínio, bromo, zinco e manganês, formando sais minerais orgânicos e inorgânicos (SILVA, 1997).

 

          Os íons cloreto e os íons sódio estão presentes na circulação sanguínea e durante a mastite atravessam os capilares sanguíneos, direcionando-se ao lúmen dos alvéolos da glândula mamária. Tal processo ocorre devido ao aumento da permeabilidade vascular e à destruição das junções celulares e do sistema de bombeamento iônico causados pelo processo inflamatório (ZAFALON et al., 2005). De acordo com Santos (2003), as alterações na composição do leite associadas com a contagem de células somáticas indicam que contagens abaixo de 100.000 CCS/mL já apresentam 0,091 g de cloro por 100 mL de leite. A medida que se eleva a CCS na mastite subclínica, há aumento do teor de cloretos (ELIAS et al., 2005).

 

          A análise de cloretos é feita para detectar fraude, uma vez que o cloreto de sódio (sal de cozinha) é usado para reconstituir a densidade do leite após a adição de água (TRONCO, 2008). Esta análise é recomendada pela legislação brasileira para a pesquisa de reconstituíntes de densidade (BRASIL, 2006).

 

          A determinação qualitativa de cloretos no leite baseia-se na ação do nitrato de prata em presença do indicador cromato de potássio. Quando o teor de cloretos é normal, a quantidade de nitrato de prata adicionada é excessiva, reagindo, então, com o indicador para a obtenção da cor marrom. Se o teor de cloreto é elevado, haverá maior consumo de nitrato de prata, diminuindo a intensidade da coloração marrom (TRONCO, 2008).

 

          No entanto, o leite com CCS também apresenta teores de cloretos acima do normal, o que pode levar a um resultado falso-positivo, levando a supor que o leite foi fraudado com a adição de cloreto de sódio.

 

 

 

Referências

 

BEHMER, M. L. A. Tecnologia do leite: queijo, manteiga, caseína, iogurte, sorvetes e instalações: produção, industrialização, análise. 13. ed. São Paulo: Nobel, 1999.

 

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Métodos Analíticos Oficiais Físico-Químicos para Leite e Produtos Lácteos. Instrução Normativa 68, Brasília, 2006.

 

ELIAS. A. O. et al. Características físico-químicas e contagem de células somáticas de leite proveniente de vacas naturalmente infectadas po Streptococcus spp. Arq. Ciên. Vet. Zool. Unipar, v.8, n.2, p. 165 – 170, 2005.

 

SANTOS, M. V.; Influência da qualidade do leite na manufatura e vida de prateleira dos produtos lácteos: papel das células somáticas. In: Brito, J. R. F.; Portugal J. A . B. (Org). Diagnóstico a qualidade do leite, impacto para a indústria e a questão dos resíduos de antibióticos. Juiz de Fora, 2003, v, I, p. 139-149.

 

TRONCO, Maria. Manual para Inspeção da Qualidade do Leite. 3a ed. Santa Maria: UFSM, 2008.

 

ZAFALON L. F.: NADER FILHO A .: OLIVEIRA J. V.: RESENDE F. D. Comportamento da condutividade elétrica e do conteúdo de cloretos como métodos auxiliares de diagnóstico da mastite subclínica bovina. Pesquisa Veterinária Brasileira, Rio de Janeiro, v. 25, n. 3, p. 150-163, 2005.

 

 

Por: Marcela T. C. Fornasari e Maike Taís Maziero Montanhini



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